terça-feira, 18 de agosto de 2026

Dois homens são presos e adolescente é apreendido por suspeita de estupro coletivo e morte de indígena no MA

 

Corpo da vítima foi sepultado na comunidade sem exames para apurar a causa da morte e possíveis vestígios de violência sexual; crime só foi comunicado à polícia 12 dias depois.

Dois homens foram presos e um adolescente foi apreendido por suspeita de participação no estupro coletivo e na morte de uma indígena de 21 anos na Aldeia Porquinhos, na zona rural de Fernando Falcão, no interior do Maranhão.

Segundo a Polícia Civil do Maranhão, o crime aconteceu em 2 de julho, mas só foi comunicado às autoridades no dia 14 do mesmo mês, 12 dias depois. A vítima, que não teve o nome divulgado pela polícia, foi enterrada na própria comunidade antes da realização de exames periciais oficiais, o que comprometeu a produção dos laudos técnicos.

Segundo o delegado Brito Júnior, titular da 15ª Delegacia Regional de Polícia Civil em Barra do Corda, a Justiça autorizou a exumação do corpo para exames periciais. Além disso, oito indígenas foram intimados para prestar depoimento sobre o caso.

Os suspeitos do crime foram detidos nessa segunda-feira (17) e podem responder por homicídio qualificado (feminicídio) e estupro coletivo.

Os mandados de prisão temporária e de apreensão foram cumpridos pela Delegacia Regional de Barra do Corda, com apoio do Centro Tático Aéreo (CTA), durante uma ação da Operação AMAS.

Vítima teria sido levada para residência e sofrido agressões

De acordo com as investigações, a jovem estaria em situação de vulnerabilidade quando teria sido conduzida pelos suspeitos para o interior de uma residência da Aldeia Porquinhos, no dia 2 de julho.

Segundo a Polícia Civil, no local, ela teria sido submetida a uma sequência de atos de violência física e sexual. A investigação aponta que teriam sido usadas garrafas de vidro, um fragmento de madeira e outros instrumentos contundentes e perfurocortantes durante as agressões.

A jovem não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu.

Crime só foi comunicado à polícia 12 dias depois

Embora a morte tenha acontecido em 2 de julho de 2026, a Polícia Civil informou que só tomou conhecimento do caso em 14 de julho, 12 dias depois.

Segundo a corporação, assim que recebeu as informações sobre o ocorrido, foi instaurado um inquérito policial para investigar a morte.

O intervalo entre o crime e a comunicação às autoridades também fez com que os primeiros procedimentos investigativos fossem realizados somente após o sepultamento da vítima.

Após a morte, o corpo da indígena foi sepultado na própria Aldeia Porquinhos, conforme os costumes locais, sem que fossem realizados previamente exame cadavérico e perícia para apuração de vestígios relacionados à suspeita de violência sexual.

Com isso, não houve, antes do enterro, a produção dos laudos periciais oficiais que poderiam auxiliar na determinação da causa da morte e na identificação de vestígios relacionados às agressões investigadas.

Diante da situação, a Polícia Civil pediu à Justiça autorização para exumar o corpo da jovem. O pedido foi aceito.

Segundo a corporação, estão sendo adotados os procedimentos necessários para que a Perícia Oficial realize os exames após a exumação.

Entre os procedimentos previstos estão exame necroscópico, perícia sexológica forense e coleta de material genético para extração de perfil genético. Os resultados deverão integrar o inquérito e auxiliar na reconstrução das circunstâncias da morte.

Dois investigados foram presos e adolescente apreendido

Na tarde dessa segunda (17), equipes da Polícia Civil e do Centro Tático Aéreo foram até a Aldeia Porquinhos para cumprir as determinações judiciais de prisão de dois adultos e apreensão de um adolescente.

Os três são investigados por suspeita de participação nos crimes. A Polícia Civil ressalta que a atuação de cada um ainda deverá ser individualizada durante o avanço das investigações.

Após o cumprimento dos mandados, os conduzidos foram apresentados à unidade policial competente e ficaram à disposição do Poder Judiciário.

A Polícia Civil ainda investiga a dinâmica completa do crime, as circunstâncias em que as agressões teriam ocorrido e a participação individual de cada um dos investigados.

Polícia negociou cumprimento dos mandados com lideranças indígenas

Durante a entrada das equipes na comunidade, a autoridade policial responsável pela investigação e a coordenação do Centro Tático Aéreo realizaram um gerenciamento de crise com o cacique e outras lideranças tradicionais da Aldeia Porquinhos.

Segundo a Polícia Civil, o objetivo era assegurar o cumprimento dos mandados de forma estratégica e evitar conflitos durante a operação.

A corporação informou que a ação ocorreu de forma pacífica e sem qualquer resistência.

Oito indígenas foram intimados a prestar depoimento

Além das prisões e da apreensão, oito indígenas foram formalmente intimados durante a operação para prestar depoimento na unidade policial.

Segundo a Polícia Civil, as oitivas deverão ajudar a esclarecer a dinâmica dos acontecimentos, as circunstâncias que antecederam a morte da jovem e a eventual participação de outras pessoas.

Os depoimentos serão incorporados ao inquérito, juntamente com os resultados das perícias que deverão ser realizadas após a exumação.

A investigação permanece em andamento para esclarecer todas as circunstâncias da morte da indígena, individualizar a possível conduta de cada investigado e verificar se outras pessoas tiveram participação no caso.

Por G1 MA 

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